Integração com ERP de provedor: IXC, Hubsoft, SGP e outros

A integração com o ERP é o que separa um chat bonito de um sistema que reduz fila. Aqui está o que ela precisa fazer, como cada ERP se comporta e onde as integrações costumam quebrar.

Toda plataforma de atendimento diz que integra com ERP. A frase não quer dizer muita coisa sozinha: integrar pode ser desde “abre o cadastro do cliente numa aba ao lado” até “emite o boleto, libera a conexão e abre a ordem de serviço sem ninguém tocar”. A distância entre as duas é o valor inteiro do produto.

O que a integração precisa fazer

Um contrato mínimo, que serve para comparar fornecedores em pé de igualdade. A plataforma precisa conseguir:

  • Achar o cliente por telefone, por CPF ou CNPJ e por código de contrato.
  • Listar faturas com status, valor e vencimento.
  • Gerar a segunda via com PDF, linha digitável e PIX.
  • Consultar o status da conexão: ativo, suspenso, cancelado, e o motivo.
  • Liberar em confiança por um prazo definido.
  • Abrir chamado e devolver o protocolo.
  • Listar os chamados daquele cliente.
  • Consultar viabilidade por CEP e listar os planos disponíveis.

Se o fornecedor faz seis dos oito, dá para trabalhar. Se faz dois, o que você vai ter é um chat organizado, e isso você já tem.

Como cada ERP se comporta

Cada sistema tem sua personalidade, e conhecer isso antes evita surpresa na implantação.

IXC Soft. O mais comum no mercado brasileiro e o mais bem documentado. API REST completa, cobre praticamente tudo do contrato acima. Um ponto de atenção prático: o boleto em PDF nem sempre vem no mesmo formato de resposta, então vale confirmar com o fornecedor que o PDF chega ao cliente, e não só a linha digitável.

Hubsoft. API oficial bem estruturada. A pegadinha clássica está no financeiro: a consulta de faturas é feita pelo código do cliente, que não é o mesmo campo do identificador interno, e trocar os dois devolve lista vazia sem erro nenhum. Se na demonstração o cliente aparecer mas as faturas não, é provavelmente isso.

SGP. API orientada a contrato, o que muda o desenho: o mesmo CPF pode ter vários contratos, e o sistema precisa perguntar qual antes de mostrar fatura. Vale testar na demonstração com um CPF que tenha dois contratos e ver o que acontece. Outro detalhe: algumas operações do SGP criam ocorrência automaticamente, então a integração precisa evitar repetir a chamada e encher o ERP de registro duplicado.

MK-Auth. Comum em provedores menores e de código aberto, o que facilita. A cobertura varia com a versão instalada.

Voalle e TopSapp. APIs disponíveis, integração possível. Confirme com o fornecedor se já existe cliente em produção usando ou se você vai ser o primeiro.

Qualquer outro. Webhook resolve. É mais trabalho e leva mais tempo, mas não é impedimento.

Onde as integrações quebram

Depois de conectar vários provedores, três problemas se repetem.

Um usuário de API só para a plataforma

Nunca entregue o login de administrador. Crie um usuário próprio, com permissão apenas para o que a integração usa. Isso te dá duas coisas: auditoria (dá para ver exatamente o que a plataforma fez no seu ERP) e um botão de desligar sem afetar mais ninguém.

O ERP fica lento e leva o atendimento junto

Consulta de fatura é a chamada mais repetida do dia. Sem cache, o mesmo cliente abrindo a conversa três vezes gera três consultas iguais. Uma integração bem feita guarda a leitura por alguns segundos, limita quantas chamadas faz ao mesmo tempo e tem disjuntor: depois de algumas falhas seguidas, ela para de insistir por um tempo em vez de martelar um ERP que já está sofrendo.

E o mais importante: ação lenta não pode travar a conversa. Liberar uma conexão pode levar segundos no ERP. Isso precisa ser enfileirado, com o cliente recebendo a resposta na hora.

A mesma regra implementada duas vezes

Esse é sutil e cria bug que ninguém entende. Se a ordenação das faturas está escrita uma vez no bot e outra na tela do atendente, elas vão divergir. Aí o bot manda uma fatura e o atendente manda outra na mesma conversa, e o cliente paga a errada. A regra tem que morar em um lugar só, usada pelos dois.

O que perguntar ao fornecedor

Cinco perguntas que valem mais que qualquer tabela de recursos:

  1. Vocês têm cliente em produção com o meu ERP hoje? Posso falar com ele?
  2. Quais das oito ações acima funcionam sem atendente?
  3. O que acontece na conversa quando o ERP não responde?
  4. Que permissões o usuário de API precisa ter?
  5. Vocês guardam registro das chamadas ao ERP? Consigo auditar?

A primeira é a que mais economiza tempo. “Já integramos com IXC” e “temos três provedores rodando IXC hoje” são frases muito diferentes.

Sobre os seus dados

Duas coisas para deixar combinadas antes de assinar, e não depois:

LGPD. A plataforma vai processar CPF, endereço e histórico dos seus assinantes. Você continua sendo o controlador desses dados, e precisa de contrato de operador com o fornecedor. Se ele usa IA generativa, pergunte especificamente o que é enviado ao modelo. A resposta correta envolve mascarar documento e telefone antes de qualquer coisa sair.

Saída. Se um dia você trocar de plataforma, consegue exportar as conversas? Em qual formato? Perguntar isso na venda é desconfortável e evita um problema bem maior depois.

Perguntas frequentes

Preciso liberar acesso ao meu ERP para a plataforma de atendimento?

Sim, por API, com um usuário próprio e permissões limitadas ao que a integração usa. Nunca entregue o usuário de administrador. Um usuário dedicado deixa você auditar tudo que a plataforma fez e revogar o acesso num clique se precisar.

Meu ERP não tem integração pronta. Estou fora?

Não. Praticamente todo ERP de provedor expõe API REST, e o que não expõe costuma aceitar webhook. O que muda é o prazo: integração pronta entra em horas, integração nova leva semanas. Pergunte ao fornecedor qual é o caso antes de assinar.

A integração deixa meu ERP mais lento?

Não deve. Uma integração bem feita usa cache curto para leitura repetida (status e faturas), limite de chamadas simultâneas e disjuntor: se o ERP começa a falhar, ela para de insistir em vez de piorar. Se o fornecedor nunca falou dessas três coisas, pergunte.

O que acontece com o atendimento se o ERP cair?

O atendimento precisa continuar de pé, só sem as ações que dependem do ERP. O sistema avisa o cliente que não conseguiu consultar agora e transfere para um atendente. O que não pode acontecer é a conversa inteira travar porque uma consulta não voltou.

Atualizado em 20/08/2026.

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